Tutorial de Quinta – Compressão aplicada – Anabolizando bumbos!

Os compressores são tão essenciais quanto mal compreendidos pelos produtores amadores. O conceito é simples, mas o uso muda muito conforme a aplicação e existem técnicas específicas para se comprimir vocais, guitarras, ou dar mais corpo para sons graves. Para os produtores de música eletrônica de pista o uso mais básico e frequente do compressor é anabolizar as frequências graves e equilibrar a equalização de baixo e bateria, destacando as diferenças sutis nos graves, que estão numa banda de frequências bem mais curta que as demais frequências da música, que podem se destacar com uma boa equalização. De 20 a 100 Hz, estamos na faixa dos bumbos e sub graves, um pouco acima, de uns 100 a 200 Hz, é o territórios dos baixos, sintetizadores de tom mais grave e  algumas peças mais graves de bateria. Todo o outro espectro de sons ocupa uma faixa de frequências que chega até os 20000 Hz, podem ser destacados facilmente com um equalizador de banda. Para entender como o compressor pode dar peso para os graves, é importante visualizar a representação do som. Usei o limiter/ compressor nativo do FL Studio porque é uma DAW que conheço bem e esse plug in tem uma interface visual que facilita a compreensão da técnica. Mas o funcionamento é o mesmo para qualquer compressor analógico ou software plug in.

Na figura abaixo, o sample de bumbo em 1, foi seuqenciado em 2 e a metade superior dessa onda aparece no gráfico do Limiter 3

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O limiter tem uma linha verde marcando o 0dB, como limite para os picos, acima disso ele passa a agir, evitando que o som saia distorcido, ele compensa o ganho que passa do limite com uma reinterpretação da forma de onda dos picos. Na figura, eu aumentei o ganho do bumbo de modo que passasse do pico de 0dB imposto pela linha verde do limiter. Os picos de entrada aparecem em lilás, os de saída em verde claro, abaixo do pico. Acima de tudo a linha em branco mostra as curvas de atenuação do limiter nos picos:

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As frequências que o som do bumbo sequenciado na figura 1 cobre, aparecem como os riscos vermelhos no display do equalizador de banda – note os nomes dos instrumentos na parte de cima do gráfico e os valores em Hertz na parte de baixo:

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O timbre do bumbo é definido por um ataque rápido – o som alcança o volume máximo assim que é tocado. Como o próprio bumbo atinge picos de 0dB logo no início do som, precisaríamos de um processo que ignorasse o ganho inicial do ataque do bumbo e se concentrasse na sustentação e no decaimento do som, onde os graves reverberam.  São essas frequências que dão o corpo grave ao timbre do bumbo e sustentam o balanço no contratempo do ritmo 4 x 4. Na figura abaixo, usei o editor Edison do FL Studio, para normalizar apenas essa área do bumbo. Obviamente esse processo é apenas ilustrativo, pois o sample é estático e queremos um efeito dinâmico, que não mude a estrutura original do sample de bumbo.

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Aí entra a aplicação do Compressor! Podemos valorizar as frequências com ganhos menores do bumbo. A primeira coisa que fiz foi mudar a função do limiter para a de compressor, clicando no botão COMP – isso muda a interface do plug in, adicionando os botões treshold, ratio e knee. O treshold é o nivel do limiar. Vou descer o valor do limiar até ganhos muito inferiores ao 0dB 2.

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Com o sinal atenuado 1, passei para o botão ratio, que determina a intensidade da compressão. Assim, uma compressão 6:1 significa que o sinal de entrada de 6dB está sendo comprimido até 1dB na saída. O botão knee (1 abaixo)  determina a a curvatura do encontro do valor de limiar (treshold) e como será a transição do sinal comprimido. Knee significa joelho em inglês, na figura abaixo fiz uma transição mais suave 2:

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Em seguida, aumentei o ganho 3 já que eu tenho agora uma faixa dinâmica que me proporciona um teto mais alto para trabalhar com o ganho das frequências – subi o volume até o limiar 5 e a curva da compressão é representada pela linha branca em 4.

Com isso consegui dar corpo no grave do bumbo, sem alterar a parte da batida na pele, que já estava no pico de 0dB

Esse foi é um uso bem básico do compressor, aplicado a uma única peça de bateria em um único canal. Quando abordar o tema novamente nos tutorias de quinta, mostrarei como trabalhar com sidechain compression e práticas de compressão específicas para vocais e instrumentos acústicos.

Niki Nixon

 

 

 

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