Stanton DJ lança Deckadance 2.6

Assumi o mixer em diversas festas, mas nunca tive a pretensão de me tornar DJ, basicamente porque depois de conferir performances ao vivo de monstros como o DJ Godfather de Detroit ou do mineiro Nedu Lopes, senti que teria muito pouco a oferecer na evolução dessa arte. E francamente, mesmo sabendo a tabuada do 8 de cor e salteado, as viradas sempre foram um desafio pra mim. Algo que nunca saiu muito naturalmente e se revelava impossível quando eu estava bêbado. E toquei com toda a sorte de equipamento ligado no mixer – pick ups, CDJs, computadores, controladoras e até groovebox. Confesso que só pude dizer que sabia mixar depois de alguns meses de experiência com o software Deckadance.

O programa original foi desenvolvido por L.S.D (Luis Serrano) e pelo brilhante coder “Argu”, ou Juan Antonio Arguelles, notório na cena tracker por seus aplicativos Psycle e  Noise Trekker, mais conhecido hoje como Renoise – o primeiro tracker com status de profissional. Argu morreu muito jovem num acidente de carro em 2005, quando estava trabalhando para Image-Line no desenvolvimento do Fruity Loops 7 e na primeira versão do Deckadance, na época, um plug in do Fruity. O nome de Argu me chamou a atenção para o programa e resolvi estudá-lo um pouco mais a fundo. E encontrei meu próprio estilo de mixagem, usando os recursos exclusivos do software. Lá pela versão 2.0 eu já podia me apresentar ao vivo sem passar muita vergonha!

deckadance2cb

O programa emula bem os efeitos de um mixer, podendo processar até 3 efeitos por vez, com seleção de banda de frequências – você pode aplicar um phaser só nos médios por exemplo. E também pode marcar pontos de loop que podem ir de 1/32 de batida até 16 batidas em tempo real, com fluidez.

deckadance loop

Mas o que realmente me fascinou nesse programa, foi ter incorporado um dos meus plug ins favoritos do FL Studio, o Gross Beat, um efeito que por definição pode manipular em tempo real o pitch, a posição e o volume da música, ou seja, emula a mão de um DJ controlando o prato. Os presets se encaixam em diversos tipos de viradas (mas é necessária uma certa prática e algum conhecimnto de causa para entender quais se adequam a cada estilo de som) e podem emular scratches, juggles e backspins.

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Corro o risco de parecer um nerd sem talento e deslumbrado com a tecnologia (ou como diz o manual – Of course, if you suck as a DJ you will still suck, even using Deckadance, but you will suck better, faster, harder and more creatively than ever before.) – mas certamente não estou sozinho nessa percepção. A toda poderosa Gibson, aquela mesma das tradicionalíssimas guitarras, comprou diversas marcas representativas no mercado de áudio como a Cerwin Vega, a KRK e a Stanton, sendo que com essa última comprou o Deckadance da Image Line e o relançou na versão 2.5, apostando no que acreditam ser o futuro da discotecagem. Funcionou pra mim.

E funciona na horizontal!

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Para a versão 2.6 a grande novidade fica por conta dos snapshots – a captura de configurações e estados de determinadas funções e botões para uso posterior, não é nada demais, mas é uma upgrade.

Download das versões demo para Windows e OSX

Niki Nixon

 

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